Miradouros

…E através da janela entreaberta esgueirava-se o rumor e a claridade da cidade, os meus sentidos despertavam e Lisboa, com as suas imagens tridimensionais exibindo-se ao natural e luzindo na fotogenia, com um pedaço de ponte aqui, uma varanda ali, uma torre de igreja, a cabeça de uma estátua, a montra de uma loja da moda ou os carris do eléctrico pelo meio, oferecia-se como um quadro perfeito, com os seus temas, mas também com a água que trazem os rios que ecoam nela, sob ela. E pensei no que diz o poeta Eugénio de Andrade: “nada mais quero, de degrau em degrau”…

Esta névoa sobre a cidade, o rio,

as gaivotas doutros dias, barcos, gente

apressada ou com o tempo todo para perder,

esta névoa onde começa a luz de Lisboa,

rosa e limão sobre o Tejo, esta luz de água,

nada mais quero de degrau em degrau.

Miradouros de Lisboa