Lapa

…A Lapa, bairro em que entrei pela rua das Janelas Verdes, mas digo já, sem qualquer interesse em distinguir fronteiras, e menos onde elas não existem, é um bairro mais “nobre” ou aristocrático, pelo menos na sua parte superior, já na colina, de palácios, palacetes, mansões unifamiliares, embaixadas, algum convento e museus, ou pelo menos um Museu, mas que vale por muitos: o Museu de Arte Antiga, também chamado de Janelas Verdes, por ocupar o antigo palácio de Alvor, que na sua fachada norte conta com, segundo o guia, quarenta janelas pintadas de verde: sem dúvida, o museu mais rico, importante e antigo da cidade. Que, obviamente, não visitei naquele domingo 7 de Outubro de 2001, e quarenta janelas que não me dei ao trabalho de contar, assim como digo quarenta e cinco.

Fiz uma viagem pela Lapa, mais fugaz e confusa, por aquela Lapa amável das embaixadas e dos consulados, e já com o estômago “a dar horas”, como se diz em Português ao facto fisiológico de que “te suenen las tripas”. E dei essa volta de reconhecimento com a certeza de que já haverá possibilidade de voltar, como não voltava há meses e meses ao Retiro, ao museu do Prado, ao Parque del Oeste ou à Plaza de Olavide, quando vivia em Madrid, embora tendo-os por aí, saber que numa tarde qualquer alguém pode cair por aquele parque, por aquela praça, por aquele museu, e sentado ou apoiado neles continuar a contemplar a vida das pessoas que passam, é uma forma de pegar nos espaços e torná-los teus. Iniciei o regresso ao Chiado, mas, desta vez sim, tentando apanhar o trajecto do eléctrico 28.